O que fazer depois do Duolingo: os próximos passos (2026)

Nove cursos do Duolingo já chegam ao B2. O que fazer depois do Duolingo em cada nível e que ferramentas colmatam as lacunas que a app ainda deixa.

Tudo o que se segue foi verificado em outubro de 2026, incluindo até onde o Duolingo te leva hoje, um ponto que mudou em abril de 2026 e que a maioria dos artigos sobre o tema ainda não acompanhou.

Tens uma ofensiva longa. Talvez até uma coruja dourada. E depois abres um site de notícias, um romance ou um filme sem legendas e percebes muito pouco. Essa distância entre «já fiz centenas de lições» e «não consigo acompanhar uma conversa» é a razão por que tanta gente procura resposta a esta pergunta.

A distância é real. Também é normal, e é mais pequena do que parece.

Até que nível chega o Duolingo?

Desde abril de 2026, nove cursos do Duolingo ensinam conteúdos até ao B2, o quarto dos seis níveis do Quadro Europeu Comum de Referência (QECR). São nove cursos, não o catálogo inteiro.

Isto mudou há pouco tempo, e a maior parte dos conselhos sobre o que vem depois do Duolingo ainda assenta na ideia antiga: os cursos param por volta do A2 e, a partir daí, estás por tua conta. A 22 de abril de 2026, o Duolingo anunciou que nove dos seus cursos passavam a ensinar conteúdos até ao B2: inglês, espanhol, francês, alemão, italiano, português, japonês, coreano e chinês. Nas palavras do próprio Duolingo:

Anteriormente, a maioria destes aprendentes só conseguia completar conteúdos até ao A2 (Duolingo Score 59).

Duolingo, 22 de abril de 2026

O Duolingo descreve quem chega ao fim do B2 como um «utilizador independente» da língua, capaz de interagir com outros falantes, perceber certos textos complexos e dar a sua opinião sobre uma grande variedade de temas.

Duas ressalvas:

  • Isto aplica-se a nove cursos. Se estás a aprender outra língua, confirma até onde vai o teu curso antes de partires do princípio de que é A2 ou B2.
  • Terminar os conteúdos não é o mesmo que ter o nível. Conteúdos alinhados com o B2 são um programa. Estares mesmo no B2 depende de quanto desse programa te ficou.

Por isso, confirma se o teu curso tem agora secções B1 e B2 que nunca viste. Se tiver e se gostares das lições, continua. Em qualquer dos casos, não tens de esperar pela última lição para começar a ler.

O que é que o Duolingo te ensina?

Uma base a sério, e o Duolingo publicou investigação sobre o quanto ensina.

A investigação do próprio Duolingo diz que os aprendentes de francês e de espanhol que completaram cinco secções sabiam tanto como estudantes universitários com cinco semestres de aulas de língua. O estudo em que isso se baseia avaliou a leitura e a compreensão oral, não a expressão oral. É o Duolingo a falar do Duolingo, por isso dá-lhe o peso que achares justo, mas a tendência não é polémica. Um outro estudo do Duolingo, de 2021, conduzido e divulgado pela própria empresa, avaliou 258 aprendentes no fim da Unidade 5 com o teste de expressão oral Pearson Versant: 66% dos aprendentes de espanhol e 53% dos de francês obtiveram A2 ou mais na expressão oral, sem terem usado nenhum outro material de estudo.

Isso é uma base. Tens uma reserva de vocabulário passivo, o som da língua na cabeça e a gramática essencial já assimilada. Nada neste artigo substitui isso, e nada aqui funciona sem isso.

O Duolingo chega para ficar fluente?

Sozinho, não. Deixa três lacunas, e saber qual delas é o teu problema é a maior parte do trabalho.

1. Volume. A língua real vem em parágrafos, em textos longos, sem limite de vocabulário. O salto de «sei 2000 palavras» para «consigo ler um romance» é sobretudo um salto nas horas passadas com textos longos, não uma mudança de método. Já escrevi sobre quantas palavras são precisas para ler um romance, e o número é maior do que talvez penses, mas assusta menos.

2. Imprevisibilidade. Numa lição, sabes mais ou menos de que vai tratar a frase. Numa conversa, não sabes. Reconhecer uma palavra que já encontraste cem vezes, depressa e fora de contexto, é uma competência diferente de a reconhecer num exercício em que já sabes qual é o tema.

3. Produção sob pressão. Escrever uma frase com tempo para pensar não é falar. É a lacuna que o Duolingo reduziu com o Bate-Papo e a Videochamada no plano Max e, na minha opinião, continua a ser aquela em que as apps ficam mais aquém.

O que fazer depois de terminar o Duolingo?

Escolhe a solução que corresponde à lacuna que te está a travar.

O que falta O que resolve Como é na prática
Vocabulário amplo, resistência na leitura Ler muito na língua 20 minutos por dia com um livro que acompanhas quase todo
Ouvido para a fala real Ouvir com as palavras à frente dos olhos Ler enquanto ouves o áudio, filmes ou séries com legendas duplas, podcasts para aprendentes
Fluência a falar Falar com uma pessoa Uma aula semanal com um professor, ou um parceiro de intercâmbio de línguas
Gramática que sabes pela metade Uma gramática de referência ou um curso Consultar as dúvidas quando aparecem, em vez de estudar tudo de antemão
O hábito diário Continuar a usar o Duolingo, se gostares As tuas lições habituais, acompanhadas de leitura desde o início

Se consegues ler um jornal mas não consegues pedir um café, o que te falta é falar. Marca aulas com um professor.

Como praticar a conversação depois do Duolingo?

Fala com uma pessoa todas as semanas, de preferência um professor que te corrija.

Arranja um professor. As plataformas de aulas online permitem marcar aulas individuais com professores particulares, que definem os seus próprios preços, por isso o que pagas depende inteiramente de quem escolhes. Para a conversação, eu preferiria uma hora por semana com uma pessoa que te corrija a qualquer número de lições numa app. Nada num telemóvel reproduz aquela pressão muito própria de ter uma pessoa à espera de que acabes a frase.

Ou encontra um parceiro de intercâmbio. É gratuito, e é pior. Gratuito porque ninguém te cobra nada, pior porque um parceiro não é um professor com formação, pode não te corrigir e a conversa pode resvalar para a tua língua materna. Serve como complemento, mas é fraco como base.

Se assinaste o plano Max por causa do Bate-Papo e da Videochamada, continua a usá-los. Falar com uma máquina paciente é um ensaio a sério e tira-te parte do pavor da primeira aula com uma pessoa. Mas é um ensaio, não a estreia.

Como perceber livros e falantes nativos depois do Duolingo?

Passa horas a ler e a ver material feito para falantes nativos, a um nível em que apanhas o sentido. Esta é a lacuna que a leitura e o vídeo conseguem colmatar, e é a parte sobre a qual circulam os conselhos mais confusos.

A ideia de base não é complicada: ficas melhor a perceber uma língua sobretudo por perceberes muito dela, a um nível em que acompanhas o sentido sem traduzir cada palavra. Precisas de horas, e só chegas a essas horas se o material for agradável o suficiente para continuares.

Há dois caminhos que funcionam: o vídeo e a leitura. O vídeo treina o ouvido, e a leitura também o pode treinar se puseres o áudio a tocar enquanto acompanhas o texto.

O vídeo dá-te fala real, com as imagens a ajudar. O Lingopie põe legendas duplas interativas em séries de televisão, e o Migaku transforma frases da Netflix e do YouTube em flashcards.

A leitura é mais indicada para alargar o vocabulário e reconhecer a gramática, porque os olhos vão ao teu ritmo e podes parar. É também onde quem vem do Duolingo tem a maior vantagem imediata: já tens palavras suficientes para ler alguma coisa.

Ler enquanto ouves treina também o ouvido. Acompanhas o texto enquanto uma voz o lê, por isso vês e ouves cada palavra no mesmo instante e podes associar a forma escrita ao som. Num estudo de 2008 com 35 estudantes universitários japoneses, os participantes apanharam cerca de 2 por cento das palavras novas quando só ouviam, contra uns 15 a 16 por cento quando tinham também o texto escrito. Num estudo de 2009 com 84 estudantes universitários, os aprendentes compreendiam contos cerca de 10 por cento melhor quando liam enquanto ouviam do que quando só ouviam. E num estudo de 26 semanas publicado em 2011, os aprendentes que liam enquanto ouviam audiolivros mais do que duplicaram a pontuação num teste de ditado, em que escreves o que ouves à velocidade normal.

Os dois primeiros ganhos foram medidos em comparação com ouvir apenas, e o grupo de 2011 foi comparado com aprendentes numa aula normal. Em comparação com a leitura silenciosa, o estudo de 2008 encontrou resultados de vocabulário semelhantes com e sem áudio. O estudo de 2011 tinha só sete aprendentes no grupo que lia enquanto ouvia, por isso os números precisam de ser confirmados em maior escala. Analisei os três estudos no artigo Ler e ouvir ao mesmo tempo. O Simply Fluent consegue ler qualquer livro em voz alta pela voz do próprio telemóvel enquanto acompanhas o texto, incluindo os que adicionas tu.

O que me fez desistir da primeira vez que tentei ler um livro em neerlandês foi o custo de cada consulta: desbloquear o telemóvel e escrever uma palavra num tradutor, vezes sem conta, até a história deixar de ser uma história. As apps de leitura existem para reduzir esse custo, cada uma à sua maneira; se estás a escolher uma, mantenho uma comparação das apps de leitura.

O que fazer a seguir no A2, no B1 ou no B2?

Continua a usar o curso se gostares dele, começa a ler em paralelo, o mais cedo que puderes, e acrescenta, da lista abaixo, o que se adequar ao teu nível.

Se não tens a certeza de qual destes casos é o teu, o teste de nível de leitura gratuito (espanhol, francês, português, alemão, italiano e neerlandês) dá-te um nível do QECR ao fim de, no máximo, três passagens curtas.

Ainda estás a meio do curso. Se gostas dele, continua e, se a tua língua for uma das nove, as secções B1 e B2 acrescentadas em abril de 2026 dão-te mais conteúdo. Mas começa a ler já, e não depois da última lição: umas páginas por dia de contos graduados ou de textos paralelos, a par das lições. Quanto mais lês, melhor lês, e mais palavras vais apanhando pelo caminho.

Terminaste o curso, mais ou menos no A2. O material graduado é um bom passo seguinte: histórias em texto paralelo, ou contos graduados escritos para os níveis A1 e A2. Se preferires ler um romance, com a tradução sempre à mão podes começar mais cedo do que talvez imagines, e um livro a que te apetece voltar vale muito. Escrevi sobre como escolher o teu primeiro livro e, no A2, é uma escolha entre as duas coisas, não uma regra.

Mais ou menos no B1, percebes muito e produzes muito pouco. Divide o tempo: leitura para ganhar volume, uma aula por semana com um professor para a produção. Se nesta fase te limitares ao input, não praticas a fala, e a fala é a parte que vai parecer estagnada. Se sentes que nada está a melhorar, é normal e tem nome: o patamar intermédio.

Mais ou menos no B2, consegues ler, mas devagar. Lê romances, em quantidade, e não interrompas a história para decifrar cada palavra. Procura o que quiseres saber e continua. Não faz mal perceber só uma parte, e muitas lacunas vão-se preenchendo à medida que continuas a ler; defendi isso em não tens de perceber tudo. É também nesta fase que os filmes sem legendas deixam de ser um castigo.

Em resumo

Se gostas do Duolingo, continua a usá-lo. Não esperes até terminares o curso para começar a ler: começa em simultâneo com as lições, o mais cedo que puderes, com algo suficientemente fácil para conseguires acompanhar. Quanto mais lês, melhor lês, e mais palavras apanhas. Pelo caminho, descobre qual das três lacunas é a tua (volume, ouvido ou produção) e acrescenta o que a colmate.

Leituras relacionadas

Perguntas frequentes

O que devo fazer depois de terminar o Duolingo?

Depende da lacuna que te está a travar. Se acompanhas frases escritas mas bloqueias numa conversa, marca aulas com um professor: nada substitui falar. Se percebes a app mas não percebes livros, filmes ou podcasts feitos para falantes nativos, precisas de volume de input, o que normalmente significa ler muito, ler enquanto ouves o áudio ou ver filmes e séries com legendas duplas. Se não sabes bem qual é a tua lacuna, começa pelo input, porque não consegues dizer aquilo que nunca encontraste.

Até que nível chega o Duolingo?

Desde abril de 2026, nove cursos (inglês, espanhol, francês, alemão, italiano, português, japonês, coreano e chinês) têm conteúdos até ao nível B2 do QECR. O Duolingo diz que, antes dessa expansão, a maioria dos aprendentes desses cursos só conseguia completar conteúdos até ao A2. Os outros cursos do catálogo são mais curtos, por isso confirma até onde vai o teu em vez de o dares como certo. Muitos dos conselhos sobre o «depois do Duolingo» que andam pela internet são anteriores a abril de 2026 e continuam a dizer A2 para todos os cursos.

O Duolingo chega para ficar fluente?

Sozinho, não. A investigação do próprio Duolingo diz que os aprendentes de francês e de espanhol que completaram cinco secções sabiam tanto como estudantes universitários depois de cinco semestres de aulas de língua, o que é uma base a sério, mas não é fluência. O que falta é volume e imprevisibilidade: livros, a fala dos nativos e conversas, em que ninguém escolheu o vocabulário por ti de antemão.

Devo manter a ofensiva do Duolingo enquanto faço outra coisa?

Se gostas, sim, continua. Só não esperes até terminares o curso para começar a ler. Começa a ler ao mesmo tempo que fazes as lições, o mais cedo que puderes, com algo suficientemente fácil para conseguires acompanhar, porque quanto mais lês, melhor lês, e mais palavras vais apanhando pelo caminho.

Foi útil?

Começa um livro hoje à noite.

Livros em 45 idiomas, e 30 dias de Premium para todos.

Descarregar na App StoreDisponível no Google Play