Literatura clássica, legível para quem aprende uma língua
A versão 1.9 do Simply Fluent apresenta os Clássicos Modernizados: obras integrais de Jane Austen, Jules Verne, Arthur Conan Doyle e muitos outros, cuidadosamente reescritas em linguagem moderna e corrente, e traduzidas para mais de 40 línguas.
Não são resumos. Não são simplificações. Não são «adaptações para estudantes». São modernizações. As histórias estão completas e fiéis aos originais. As personagens, os enredos, os temas e os arcos emocionais ficam intactos. O que mudei foi a linguagem em si: o vocabulário arcaico dá lugar a equivalentes modernos, e a estrutura das frases é atualizada para refletir a forma como a língua se escreve hoje.
O resultado é uma biblioteca de literatura clássica que se lê como se estes autores estivessem a escrever hoje.
Porque é que isto importa

A literatura clássica é dos melhores materiais que existem para aprender uma língua. Vocabulário rico, personagens complexas, histórias que cativam leitores há séculos. Há só um problema: o francês de Victor Hugo tem 160 anos. O russo de Dostoiévski, o espanhol de Cervantes, o inglês de Austen: todos usam uma linguagem radicalmente diferente da forma como as pessoas escrevem e falam hoje.
Pegas em Os Miseráveis porque queres ler uma obra-prima em francês. Na página três, já encontraste tempos verbais que o teu manual nunca mencionou e vocabulário que ninguém usa desde Napoleão.
Isto não é um problema de compreensão. É um problema de linguagem histórica. Não estás com dificuldades porque o teu francês é mau. Estás com dificuldades porque a língua tem 160 anos.
Essa barreira, eu removi-a.
Porquê modernizar em vez de simplificar?
Esta distinção é importante. Os clássicos simplificados (do género que talvez tenhas lido na escola como «leituras graduadas») são reescritos para se ajustarem a um nível de língua específico. Usam frases mais curtas e um vocabulário controlado, e muitas vezes a história é encurtada para caber. Nos níveis mais baixos, são uma boa porta de entrada, mas são outra coisa.
Não foi isso que fiz.
A modernização preserva a complexidade do texto original. O vocabulário sofisticado mantém-se, só que é vocabulário sofisticado contemporâneo em vez de arcaico. As estruturas frásicas complexas mantêm-se, só que estão construídas como um autor de hoje as escreveria. A história inteira mantém-se: cada enredo secundário, cada personagem, cada camada temática.
Pensa nisto como o restauro de um quadro. Não mudas a composição nem o tema. Retiras a sujidade acumulada ao longo de séculos para se ver o que o artista pretendia. A linguagem que Hugo, Dostoiévski, Austen e Cervantes usaram era moderna e natural quando escreveram. Eu volto a torná-la moderna e natural.
Um exemplo
Aqui está uma frase do original francês de Os Miseráveis:
«Il est des choses plus fortes que l'homme le plus fort.»
Um leitor francês de hoje percebe-a, mas não é assim que a maioria das pessoas escreve. «Il est des» é uma forma antiga e literária de dizer «há», e quem só aprendeu «il y a» nas aulas pode ficar ali preso.
Uma versão modernizada mantém o sentido e o tom:
«Il y a des choses plus fortes que l'homme le plus fort.»
A mesma ideia. O mesmo peso. Para quem aprende a língua, é uma construção a menos para decifrar, e um romance inteiro está cheio de escolhas como esta.
O que há na biblioteca

A coleção inicial concentra-se em obras muito conhecidas, culturalmente relevantes e que compensam a leitura. Começo por títulos de que quase toda a gente já ouviu falar, mas que muitos nunca leram do princípio ao fim, e muito menos numa segunda língua.
A coleção atual inclui romances, novelas e coletâneas de contos da literatura europeia e mundial, do século XVIII ao início do século XX. Cada título é uma obra completa e integral. Não incluo excertos nem capítulos selecionados. Se está na biblioteca, é o livro inteiro.
Cada clássico modernizado funciona exatamente como qualquer outro livro no Simply Fluent. Seleciona qualquer palavra ou expressão e recebes uma tradução imediata. Guarda traduções no teu dicionário. Cria flashcards a partir das palavras que encontras. Acompanha o teu progresso de leitura. Tudo aquilo a que já estás habituado, aplicado a algumas das melhores histórias alguma vez escritas.
Línguas
No lançamento, os clássicos modernizados estão disponíveis nas línguas com mais procura: espanhol, francês, alemão, italiano, português e sueco, e nas próximas semanas chegam mais línguas. Os textos de origem vêm de várias tradições literárias, e eu traduzo de uma língua para outra, por isso podes ler um clássico francês em alemão, um clássico russo em espanhol ou um clássico inglês em italiano.
A seleção e as línguas disponíveis vão crescer com o tempo. Isto não é um lançamento pontual. É um projeto contínuo, e acrescento títulos novos com regularidade.
Porque é que vale a pena ler clássicos quando se aprende uma língua
Os romances clássicos usam um leque de vocabulário mais amplo do que a ficção contemporânea. Descrevem as emoções com mais precisão, os cenários com mais detalhe e as relações sociais com mais nuance. Um clássico modernizado expõe-te a vocabulário que não vais encontrar num thriller nem num romance de amor, palavras preciosas para chegar a um nível avançado.
Os livros longos também são uma vantagem para quem aprende uma língua, não uma desvantagem. O contacto prolongado com um vocabulário e um estilo consistentes ajuda-te a ganhar ritmo. Ao chegar ao capítulo cinco, já te habituaste à voz do autor. No capítulo dez, lês com fluência dentro do mundo desse autor.
E há a cultura geral. Quando alguém mencionar Dom Quixote, Anna Karenina ou Jean Valjean numa conversa, vais saber de quem fala. Ler um clássico francês não melhora apenas o teu vocabulário em francês. Dá-te um contexto para perceber a cultura francesa de uma forma que nenhum manual consegue.
Como isto encaixa na tua prática de leitura
Os clássicos modernizados não vêm substituir os contos e os outros livros que já lês no Simply Fluent. São um acrescento à tua biblioteca, mais uma opção quando escolhes o que ler a seguir.
É assim que sugiro que penses neles:
Para leitores de nível intermédio (B1-B2)
Tens vocabulário suficiente para enfrentar um romance inteiro, e a linguagem modernizada garante que não tropeças em construções arcaicas. Começa por um clássico mais curto, uma novela ou uma coletânea de contos, e vê como corre. Se te sentires à vontade, passa a um romance completo. O vocabulário vai ser exigente aqui e ali, mas é mesmo esse o objetivo. Estás a puxar por ti.
Para leitores de nível avançado (B2-C1)
Já podes partir para a experiência completa. Escolhe um clássico que sempre quiseste ler e mergulha nele. Com a linguagem modernizada, a tua energia mental vai para a história e para o vocabulário avançado, não para decifrar a sintaxe do século XIX. Estes livros vão levar o teu vocabulário a terrenos que a ficção contemporânea raramente alcança.

Porque é que fiz estes livros
Acredito que uma das maiores barreiras para ler noutra língua não é a capacidade. É o acesso ao material certo. Material interessante o suficiente para continuares a ler, acessível o suficiente para não te sobrecarregar, e substancial o suficiente para desenvolver as tuas competências ao longo do tempo.
Os livros contemporâneos são ótimos para isso. Mas o património literário do mundo, séculos de narrativas brilhantes em dezenas de línguas, esteve em grande parte fechado a quem aprende uma língua, por causa da barreira da linguagem arcaica.
Essa barreira já não existe.
Os clássicos sobreviveram cem, duzentos, às vezes trezentos anos porque as histórias são assim tão boas. A linguagem em que foram originalmente escritos era um produto do seu tempo. As histórias em si são intemporais.
Atualizei a linguagem. As histórias são as mesmas.
Já disponível
Os clássicos modernizados já estão disponíveis na versão 1.9 do Simply Fluent. Atualiza a app e vais encontrá-los na biblioteca, ao lado de tudo o resto. Explora por língua, por autor ou por época. Escolhe algo que te chame a atenção.
E se houver um clássico que gostarias de ver na coleção, diz-me. A biblioteca está a crescer, e as tuas sugestões ajudam-me a decidir o que modernizar a seguir.


















